quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sobreviver nas Ruas

"Leandro"

O nome dele é Leandro, verdadeiro ou não, também não precisei perguntar muito. Extremamente interativo, há mais de três anos o vejo cotidianamente, dia ou noite, num  dos cruzamentos movimentados na cidade de Florianópolis/SC, Brasil, região continental.


Lembro que no início o via abordando motoristas quando o sinal fechava, fazendo suas  cenas   tipo violinista ou circense,  para assim conseguir algumas moedas e sobreviver.

O tempo foi passando  e àquele jovem de não mais de 25 anos ia sob o sol e chuva, a qualquer tempo emagrecendo, se desfigurando.

Sempre muito alegre, não se entregava  diante das negativas dos transeuntes, insistia no condutor logo atrás e com isso sempre lhe rendia  uns trocados.

De ano para cá, houve uma mudança na performance. Apareceu ele com um pequeno  banco com pés de metal e vestimentas tipo greco-romana, tendo a pele em parte metalizada, ou melhor dourada e prateada, mudando vez ou outra. Subia ao banco e se equilibrava numa das pernas estático e assim, criava o ambiente, onde ele mesmo era apenas uma sombra  no sol da indiferença daqueles que por lá passavam. 


Olhar Distante 
Intercalava conforme o personagem, que agora também se fazia presente o estilizado imperador Nero.
Ao mesmo tempo da sua  apresentação,  conversava comigo. Dizia que sua namorada  teria ficado brava com ele pelas mensagens no celular e o danificou. Falava assim e ria abertamente  diante do público, parecendo realmente levar sua vida como  um teatro mambembe.

Recentemente incorporou Charles Chaplin  e assim está a uns bons meses. O observo de longe sempre que posso, pois por ali transito diariamente.

No último dia 10 não deu para conter, fotografá-lo era o objetivo. Sem maiores pretensões, e os resultados até que foram bons.

Imediatamente autorizou as fotos dizendo que mostraria sua “feiura”, mas o que se revelou naquela meia hora com ele no cruzamento foi perceber que o jovem chama muito atenção.



Muito solicito, mostrou também preocupação com os excessos no trânsito local e os olhares frios.



Ao final disse onde morava ali perto e o deixei na sua  incessante correria conforme o sinal fechava e abria ao movimento de carros. 


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Expressão e Significado


O fato de ser (ou estar) um fotógrafo amador vem de encontro a necessidade da pesquisa, algo que para mim é imprescindível na produção do conhecimento, quer no meio acadêmico, quer sim no meu cotidiano.
Não estou aqui para desenvolver qualquer modelo acadêmico, mas confesso, o pouco que pesquisei me estimula aos estudos e vez ou outra me deparo com boas produções literárias que discorrem sobre a temática da fotografia documental e as reflexões destas sobre o modelo contemporânea de sociedade.



                          Atualmente a produção fotográfica toma proporções jamais imaginadas para arte ou “ciência da fotografia”, certo é que a apropriação da fotografia pelo jornalismo (fotojornalismo) promoveu uma revolução nos conceitos sociais, trazendo-a para a história com caráter documental, sempre na tentativa de validar o real, onde segundo André Rouillé “uma fotografia-documento que compreende uma expressão, englobando um acontecimento, embora não o represente, pode ser chamada de fotografia-expressão (Rouillé, 2009:137).





















                        Mas porque transitar por este tema?  O fato é que garimpando o acervo de minhas fotos, em especial para a Patagônia Argentina (Janeiro/2015), percebi o que até então não havia  me dado conta e agora com  outro olhar,  vejo-as impregnadas de expressão e significados próprios, repletas da capacidade de trazer memória, minhas memórias. Mas também, trazer ao olhar do outro esse caráter expressivo capturado naquele instante. 



Ainda segundo André Rouillé, “Ela (fotografia) fabrica um mundo. (...) É a produção de um novo real (fotográfico), no decorrer de um processo conjunto de registro e de transformação, de alguma coisa do real dado; mas de modo algum assimilável ao real. A fotografia nunca registra sem transformar, sem construir, sem criar.” Mais do que tudo, o autor afirma que a fotografia além de criar novos mundos, faz romper com outros, sejam eles culturais ou comportamentais. 

E neste contexto do teórico, foi que passei um novo olhar sobre as fotos, as quais revelaram uma realidade da viagem antes não percebida. 

Elas, (as fotos) compõem o acervo realizado na província de S.anta Cruz, região de  El Calafate,  na Patagônia Argentina, (janeiro 2015), de topografia exuberante e com  alguns lagos, onde fica uma das principais geleiras,a  Perito Moreno.





























Nota: “A geleira Perito Moreno é um glaciar Argentino que está situado entre os 47º e 51º de latitude sul. Ela se estende desde o campo de gelo Patagônico Sul, na fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do Lago Argentino, possuindo cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura. Seu nome é uma homenagem a Francisco Pascasio Moreno, criador da Sociedade Científica Argentina e um renomado pesquisador da região austral daquele país. O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo.” (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno)

Achei importante a nota, pois há também uma cidade com o mesmo nome, bem mais para o norte.  As fotos do Glaciar foram especiais, mas no entorno, pouco antes de acessar a plataforma de gelo, a floresta trás uma perspectiva única.

Em quase sua totalidade, são árvores muito altas, retorcidas pela força dos ventos Andinos, pois o Glaciar forma-se nas encostas da Cordilheira. Geografia a parte, o que importa é ver nas imagens um significado personalizado, próprio em cada ranhura de casca,e do lago, impregnado do olhar secular que por ali transitou, transformando-se em fotografia documento pelo simples fato de basear sua existência na imagem histórica que se apresenta ao homem.

Entendo que a fotografia, ou o fotógrafo, pois não se encontram dissociados, nos trazem  de lugares distantes uma narrativa oculta, que problematiza a realidade secular do terreno, das folhas troncos e cascas, dos frutos, das cores, ângulos e formas.

Nos trás um documento estético que media o homem e o ambiente, que o torna personagem da história presente, no momento exato do congelamento da imagem.

Ela, (a imagem) ao mesmo tempo em que expõe segundo Katia Hallak Lonbardi sua temporalidade, sua impressão do mundo, instigando uma narrativa própria que “... requer algum tipo de apuração prévia, estudo, conhecimento e envolvimento com um tema”, nos remete nas perspectiva histórica daqueles que a muito por lá passaram.

Portanto, as fotos  estão repletas de um imaginário, de uma complexidade que reporta a impressão dos agentes naturais sobre o físico, neste caso árvores, rochas e relevo. 


Bibliografia.
1. ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. São Paulo: Senac, 2009.

2. Nota: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno

3. LOMBARDI, Katia Hallak. documento Imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos Fotográficos, Londrina, v.4, n.4, p.35-58, 2008


Experiência de campo

Olá novamente,


Fui em campo para testar um pouco mais o equipamento, na verdade  uma viagem à cidade de Nova Veneza/SC. Escolhi algumas fotos de um tema que muito me interessa (Imigração), pois historiador que sou, sempre é bom pesquisar um pouco quando se viaja.

Nova Veneza situa-se na região sul de Santa Catarina/Brasil. De colonização predominantemente italiana,  e a visita no mês de junho me levou para a área rural encontrei a "Casa de  Pedra" Nono Luigi Bratti, construídas pelos anos de 1891.

Um belíssimo conjunto arquitetônico [http://iphansc.blogspot.com.br/2011/03/casas-de-pedra-tornaram-se-patrimonio.html]. Vale a pena visitar.

A Votos foram conseguidas com a Canon EOS T3,  lente do kit (18-55mm).

Canon T3 (18-55mm) - 1/80s F/13 ISO 800 -18 mm

Canon T3 (18-55mm) - 1/25s F/13.0 - ISO 100

Canon T3 (18-55mm) - 1/25s F/13.0 ISO 100 - 18 mm

Canon T3 (18-55mm)  1/25s 13.0 ISO 100  18 mm

Canon T3 (18-55mm) 1/25s F/13.0 ISO 100  18 MM

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A memória na Fotografia

Olá amigos,

Sempre é bom buscar pela memória os bons momentos da vida, mesmo que com elas (memórias), também venham agregados outros sentimentos, mas que necessitam ser sempre avaliados.

Em janeiro deste ano consegui fazer minha segunda longa viagem, pois a primeira foi em outubro de 2014, onde fiz com o colega Erasmo o Rio Grande do Sul e boa parte do Uruguai.

Esta foi especial para mim, pois era um sonho de juventude, se transformou numa grande aventura e graças ao bom Deus, correu tudo bem.

Percorremos pouco mais de 11.000 mil quilômetros e nos 22 dias conheci um pouco mais do meu país, grande parte do Uruguai e pode-se dizer que muito do Território Argentino, pois ir até o Fim do Mundo  tem disso.

Ou seja, conhecer novas culturas, povos, línguas, sabores e certo, alguns dissabores, mas nada que fosse comprometer a viagem e o compromisso de estar e ser feliz naqueles dias.

Recentemente uma pessoa que muito estimo perguntou se estava feliz. Ela mesmo já havia respondido que felicidade são apenas momentos. É isto mesmo, temos momentos felizes, nunca estamos completos nisso. Encerra-se ai a natureza humana, onde respondi  que tenho tido momentos felizes.  

No todo ou em parte, digo que os relatos sobre a viagem podem até virar um livro, mas não tenho como transportar, pelo menos de forma mais concreta, todos os sentimentos que vivenciei nesta viagem. Estes são meus, impregnam agora minha alma, os levarei quando partir deste plano.

Mas posso dividir  as imagens fotografadas no percurso, pois como bem disse  Vilém Flusser , falando sobre fotos e fotografia:  “ O fotógrafo nelas navega, regiões nunca dantes navegadas, para produzir imagens jamais vistas” e continua, “... o fotógrafo salta por cima das barreiras que separam as várias regiões do espaço-tempo”.  Quando me dei conta era um fotógrafo de minha trajetória, havia  mergulhado num campo que cativa e seduz rapidamente, a fotografia.

Chega de escrita, vamos as imagens, congeladas no espaço-tempo, trazendo uma gama de significados que divido com todos.

É sempre importante dizer que também somos fotografados. 

Até mais. 























terça-feira, 9 de junho de 2015

A FOTOGRAFIA COMO FORMA DE EXPRESSÃO

Na rede o básico é estar sempre garimpando e se informando. Claro que nem tudo são maravilhas, mas no blog de José Loureiro (http://joseloureirophotography.blogspot.com.br/), posso garantir  que temos pérolas.

A última edição da Revista Pelikula Fhoto Album 2015 (nº 4) (http://issuu.com/pelikularevista/docs/pelik_2015), na página 52, temos o texto abaixo, que reflete as delícias da poesia em prol da arte da fotografia.

O texto é mencionado como uma adaptação de obras do poeta Manoel de Barros. Obras especiais do poeta brasileiro.


"
FOTOGRAFIA COMO FORMA DE EXPRESSÃO
(texto de Manoel de Barros adaptado á fotografia por Renato Roque)

O que resta de grandezas para nós são os desconheceres – completou.
Para enxergar as coisas sem feitio é preciso não saber nada. É preciso entrar em estado de árvore. É preciso entrar em estado de   palavra- imagem. Só quem está em estado de palavra-imagem pode enxergar as coisas sem feitio.
....

Desinventar objetos. O pente, por exemplo. Dar ao pente funções de não pentear. Até que ele fique a disposição de ser uma begônia. Ou uma gravanha. Usar algumas imagens que ainda não tenham idioma.
...De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que se perdia nos longes da Bolívia. E veio uma iluminura em mim. Foi a primeira iluminura. Daí botei minha primeira imagem : aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem. Mostrei a obra pra minha mãe. A mãe falou: Agora você vai ter que assumir as suas irresponsabilidades. Eu assumi: entrei no mundo das imagens.
...

A poesia está guardada nas imagens – é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Prepondero a sandeu. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com o real. Para mim, o processo não é aquele que descobre o ouro. Poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias: (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios. 
                                       "


sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Imaginário de Onde se Pode Ir




Nestes vários anos que transito pelas redes sociais, mais ainda, a partir do momento que comprei minha primeira moto, com mais de 50.000 Km rodados, busco estar sempre garimpando o que for melhor para postar nos Blogs [Caprona e Avulsos Moto Grupo], onde cada link reflete um período, grupo de amigos e situações que vivenciei.

A saudade é grande de muitos amigos que já não mais estão rodando nas estradas deste plano de existência o que muito me entristece, pois todos tinham muitos planos, que de alguma forma tudo convergia para o motociclismo e com estes, muito aprendi

Mas porque estou agora com estas falas?  Já lhes digo, pois gosto de dedicar diariamente à leitura dos inúmeros sites, blogs e nas redes sociais para então abastecer minhas páginas. Com os de interesse, solicito por escrito (e-mail), autorização para reproduzir o material, pois entendo que direito autoral é questão de lei e de honra para quem transita pela net.

Vamos ao que interessa, pois num destes garimpos, no site http://blog.fabiomagnani.com/?p=28012, do professor e motociclista Fábio Magnani, da Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco  (sugiro a leitura), temos o texto “Motoqueiros em Fuga”.

O texto em si, de ótimo conteúdo e leitura, apresenta na inicial a reprodução do desenho “Poça D’agua (uma Litografia de 1953, do artista gráfico Maurits Cornelis Escher (1898-1972). Sugiro uma visita ao  site  http://www.mcescher.com/about/biography/, pois este desenho consegue traduzir  o que há muito tempo buscava para reproduzir as marcas de ser um viajante, neste caso um motociclista.  

M C Escher,  consegue na  imagem, (na análise de Magnani) mostrar as muitas formas de se viajar e imaginar todo o possível nos terrenos que se pisa. 

E quanto amim, me desdobro no olhar para também perceber a profundidade das marcas deixadas e o impacto que este caminho possa ter representado aos viajantes imaginários do autor

Então, estou aqui hoje para aguçar a curiosidade dos leitores com  o litografia e os dois links especiais, esperando seus comentários.


Um forte abraço,

Antônio C. Fernandes
Historiador/Motociclista

domingo, 12 de abril de 2015

Iniciando as atividades externas e treinando a fotografia.

Hoje peguei a moto e equipamentos e tomei rumo ao Parque Estadual Serra do Tabuleiro-Brasil/SC, cidade de Sto Amaro da Imperatriz, localidade de Várzea do Braço, em meio a mata, ar puro , água fria e muitas cores. 

Câmera Canon T3.
Lente: 70-300mm  / 18-55mm


    Antônio Fernandes

Lente:18-55mm /  4s, f/22, ISO 100

Lente: 18-55mm - 1/60, f16, ISO Auto

Sigma 70-300mm - 1/250, f14, ISO Auto


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Viajar e Fotografar

Olá Amigos, 

Volto a postar, desta feita, um breve texto que me caiu nas mãos recentemente e percebi a importância e a relação com este momento de minha vida. 

Depois do Motociclismo, que não sei até quando poderei estar nas estradas, pois a idade se avança, encontrei na fotografia outro ponto importante para as descobertas que este mundo nos reserva. 

texto publico no blog http://wwwcaprona.blogspot.com.br/

Vamos a fala.


“Duas atividades são essenciais para mim: viajar e fotografar. Viajo para ver de perto o mundo, e a vida que conheci lendo. (…) Já fotografar é uma das maneiras com que consigo parar o tempo e garantir que uma sensação fique retida sem precisar, necessariamente, da ajuda da memória.” J.R. Duran — fragmento do livro Cadernos de Viagem. Editora BENVIRA. 2012.

Como sempre é de bom tom dar algumas impressões, então posso dizer que: sou motociclista, viajo para fazer parte da paisagem, agradecendo a vida que me foi dada neste planeta, pelo tempo que me permitirem, conhecendo um pouco do que desejo, me inserindo nestas paisagens. 

Quanto a fotografia, veio também de um sonho de juventude, com todos os seus encantos. Congelo no tempo um pouco daqueles sonhos nos lugares por onde passo. 
E a memória, funde-se com as cores de todos estes lugares, que quando os deixo, deixo um pouco de mim. Viajando assim, me desfaço gradativamente, convertendo-me naquilo que sempre sonhei. 


El Chaltén - Argentina

Estância La Julia- Perto de El Chaltén - Argentina


Meio do Nada - Ruta 3- Argentina


Geleira Perito Moreno - El Calafate - Argentina


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Primeiro dia

Olá amig@s,


Este blog entra em fase de testes.

A priori, o objetivo é dinamizar os temas relacionados a fotografia. Não sou profissional, [ainda], mas os passos iniciais foram dados para suprir esta irresistível atração sobre o tema, a arte de fotografar.

Pretendo unir aqui o que mais gosto [natureza, pessoas alegres, motociclismo, aventura, amizade, etc..], não nesta ordem é claro, mas, se tudo der certo como planejo, acredito que terei sucesso.

Prefiro o ar livre, o cheiro e sons da mata, a chuva no meio dela, as águas e seus desenhos, as cores dos insetos e tudo que os rodeia.

Um prévia, feita com uma máquina Sony, compacta, das mais simples e sem grandes recursos. local especial para fotos, cores e volumes ao extremo.

Festival  Internacional de Balões  em Torres-RS - 2014