O fato de
ser (ou estar) um fotógrafo amador vem de encontro a necessidade da pesquisa,
algo que para mim é imprescindível na produção do conhecimento, quer no meio
acadêmico, quer sim no meu cotidiano.
Não estou
aqui para desenvolver qualquer modelo acadêmico, mas confesso, o pouco que
pesquisei me estimula aos estudos e vez ou outra me deparo com boas produções
literárias que discorrem sobre a temática da fotografia documental e as
reflexões destas sobre o modelo contemporânea de sociedade.
Atualmente a produção fotográfica toma proporções jamais imaginadas para arte ou “ciência da fotografia”, certo é que a apropriação da fotografia pelo jornalismo (fotojornalismo) promoveu uma revolução nos conceitos sociais, trazendo-a para a história com caráter documental, sempre na tentativa de validar o real, onde segundo André Rouillé “uma fotografia-documento que compreende uma expressão, englobando um acontecimento, embora não o represente, pode ser chamada de fotografia-expressão” (Rouillé, 2009:137).
Mas porque transitar por este tema? O fato é que garimpando o acervo de minhas fotos, em especial para a Patagônia Argentina (Janeiro/2015), percebi o que até então não havia me dado conta e agora com outro olhar, vejo-as impregnadas de expressão e significados próprios, repletas da capacidade de trazer memória, minhas memórias. Mas também, trazer ao olhar do outro esse caráter expressivo capturado naquele instante.
Ainda segundo André Rouillé, “Ela (fotografia) fabrica um mundo. (...) É a produção de um novo real (fotográfico), no decorrer de um processo conjunto de registro e de transformação, de alguma coisa do real dado; mas de modo algum assimilável ao real. A fotografia nunca registra sem transformar, sem construir, sem criar.” Mais do que tudo, o autor afirma que a fotografia além de criar novos mundos, faz romper com outros, sejam eles culturais ou comportamentais.
E neste
contexto do teórico, foi que passei um novo olhar sobre as fotos, as quais
revelaram uma realidade da viagem antes não percebida.
Elas, (as fotos) compõem o acervo realizado na província de S.anta Cruz, região de
El Calafate, na
Patagônia Argentina, (janeiro 2015), de topografia exuberante e com alguns lagos, onde fica uma das
principais geleiras,a Perito Moreno.
Nota: “A geleira Perito Moreno é um glaciar Argentino que está situado entre os 47º e 51º de latitude sul. Ela se estende desde o campo de gelo Patagônico Sul, na fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do Lago Argentino, possuindo cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura. Seu nome é uma homenagem a Francisco Pascasio Moreno, criador da Sociedade Científica Argentina e um renomado pesquisador da região austral daquele país. O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo.” (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno)
Achei
importante a nota, pois há também uma cidade com o mesmo nome, bem mais para o norte. As fotos do Glaciar foram especiais, mas
no entorno, pouco antes de acessar a plataforma de gelo, a floresta trás uma perspectiva única.
Entendo
que a fotografia, ou o fotógrafo, pois não se encontram dissociados, nos trazem de lugares distantes uma narrativa oculta, que problematiza a realidade secular do
terreno, das folhas troncos e cascas, dos frutos, das cores, ângulos e formas.
Nos trás
um documento estético que media o homem e o ambiente, que o torna personagem da
história presente, no momento exato do congelamento da imagem.
Ela, (a
imagem) ao mesmo tempo em que expõe segundo Katia Hallak Lonbardi sua
temporalidade, sua impressão do mundo, instigando uma narrativa própria que
“... requer algum tipo de
apuração prévia, estudo, conhecimento e envolvimento com um tema”, nos remete nas perspectiva histórica daqueles que a muito por lá passaram.
Portanto,
as fotos estão repletas de um imaginário, de uma complexidade que reporta
a impressão dos agentes naturais sobre o físico, neste caso árvores, rochas e
relevo.
Bibliografia.
1. ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte
contemporânea. São Paulo: Senac, 2009.
2. Nota: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno
3. LOMBARDI, Katia Hallak. documento Imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos Fotográficos, Londrina, v.4, n.4, p.35-58, 2008
2. Nota: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno
3. LOMBARDI, Katia Hallak. documento Imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos Fotográficos, Londrina, v.4, n.4, p.35-58, 2008





