sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Expressão e Significado


O fato de ser (ou estar) um fotógrafo amador vem de encontro a necessidade da pesquisa, algo que para mim é imprescindível na produção do conhecimento, quer no meio acadêmico, quer sim no meu cotidiano.
Não estou aqui para desenvolver qualquer modelo acadêmico, mas confesso, o pouco que pesquisei me estimula aos estudos e vez ou outra me deparo com boas produções literárias que discorrem sobre a temática da fotografia documental e as reflexões destas sobre o modelo contemporânea de sociedade.



                          Atualmente a produção fotográfica toma proporções jamais imaginadas para arte ou “ciência da fotografia”, certo é que a apropriação da fotografia pelo jornalismo (fotojornalismo) promoveu uma revolução nos conceitos sociais, trazendo-a para a história com caráter documental, sempre na tentativa de validar o real, onde segundo André Rouillé “uma fotografia-documento que compreende uma expressão, englobando um acontecimento, embora não o represente, pode ser chamada de fotografia-expressão (Rouillé, 2009:137).





















                        Mas porque transitar por este tema?  O fato é que garimpando o acervo de minhas fotos, em especial para a Patagônia Argentina (Janeiro/2015), percebi o que até então não havia  me dado conta e agora com  outro olhar,  vejo-as impregnadas de expressão e significados próprios, repletas da capacidade de trazer memória, minhas memórias. Mas também, trazer ao olhar do outro esse caráter expressivo capturado naquele instante. 



Ainda segundo André Rouillé, “Ela (fotografia) fabrica um mundo. (...) É a produção de um novo real (fotográfico), no decorrer de um processo conjunto de registro e de transformação, de alguma coisa do real dado; mas de modo algum assimilável ao real. A fotografia nunca registra sem transformar, sem construir, sem criar.” Mais do que tudo, o autor afirma que a fotografia além de criar novos mundos, faz romper com outros, sejam eles culturais ou comportamentais. 

E neste contexto do teórico, foi que passei um novo olhar sobre as fotos, as quais revelaram uma realidade da viagem antes não percebida. 

Elas, (as fotos) compõem o acervo realizado na província de S.anta Cruz, região de  El Calafate,  na Patagônia Argentina, (janeiro 2015), de topografia exuberante e com  alguns lagos, onde fica uma das principais geleiras,a  Perito Moreno.





























Nota: “A geleira Perito Moreno é um glaciar Argentino que está situado entre os 47º e 51º de latitude sul. Ela se estende desde o campo de gelo Patagônico Sul, na fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do Lago Argentino, possuindo cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura. Seu nome é uma homenagem a Francisco Pascasio Moreno, criador da Sociedade Científica Argentina e um renomado pesquisador da região austral daquele país. O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo.” (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno)

Achei importante a nota, pois há também uma cidade com o mesmo nome, bem mais para o norte.  As fotos do Glaciar foram especiais, mas no entorno, pouco antes de acessar a plataforma de gelo, a floresta trás uma perspectiva única.

Em quase sua totalidade, são árvores muito altas, retorcidas pela força dos ventos Andinos, pois o Glaciar forma-se nas encostas da Cordilheira. Geografia a parte, o que importa é ver nas imagens um significado personalizado, próprio em cada ranhura de casca,e do lago, impregnado do olhar secular que por ali transitou, transformando-se em fotografia documento pelo simples fato de basear sua existência na imagem histórica que se apresenta ao homem.

Entendo que a fotografia, ou o fotógrafo, pois não se encontram dissociados, nos trazem  de lugares distantes uma narrativa oculta, que problematiza a realidade secular do terreno, das folhas troncos e cascas, dos frutos, das cores, ângulos e formas.

Nos trás um documento estético que media o homem e o ambiente, que o torna personagem da história presente, no momento exato do congelamento da imagem.

Ela, (a imagem) ao mesmo tempo em que expõe segundo Katia Hallak Lonbardi sua temporalidade, sua impressão do mundo, instigando uma narrativa própria que “... requer algum tipo de apuração prévia, estudo, conhecimento e envolvimento com um tema”, nos remete nas perspectiva histórica daqueles que a muito por lá passaram.

Portanto, as fotos  estão repletas de um imaginário, de uma complexidade que reporta a impressão dos agentes naturais sobre o físico, neste caso árvores, rochas e relevo. 


Bibliografia.
1. ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. São Paulo: Senac, 2009.

2. Nota: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno

3. LOMBARDI, Katia Hallak. documento Imaginário: reflexões sobre a fotografia documental contemporânea. Discursos Fotográficos, Londrina, v.4, n.4, p.35-58, 2008


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